sábado, 24 de maio de 2014

Negra

Negra, eu te vi implorando
Correndo,  chorando
Vi você a frente de um Senhor
Subjugando seu sangue nagô

Negra, negra,  joia africana
Vem dançando pela senzala
Enquanto seu corpo resvala
Sobre uma pilha de pratos
Seu vestido aos trapos

Está pingando,  em frangalho
pelas roupas lavadas no orvalho
Da senhora dama  que avulta
Seu sentimento de culpa

Querem te deixar desprovida
Da luz  do sol, da vida
Tentando te fazer invisível
Nesse mundo previsível

Onde quem tem  posses
Tem vezes e vozes
Não vos calais, negra mulher
Olhai ao longe com foco,  fé

Vede seus braços, sua cor
Tens  choro, sangue, dor
Mas, além disso , moça
Tens dignidade e força








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