Negra, eu te vi implorando
Correndo, chorando
Vi você a frente de um Senhor
Subjugando seu sangue nagô
Negra, negra, joia africana
Vem dançando pela senzala
Enquanto seu corpo resvala
Sobre uma pilha de pratos
Seu vestido aos trapos
Está pingando, em
frangalho
pelas roupas lavadas no orvalho
Da senhora dama que
avulta
Seu sentimento de culpa
Querem te deixar desprovida
Da luz do sol, da
vida
Tentando te fazer invisível
Nesse mundo previsível
Onde quem tem posses
Tem vezes e vozes
Não vos calais, negra mulher
Olhai ao longe com foco, fé
Vede seus braços, sua cor
Tens choro, sangue,
dor
Mas, além disso , moça
Tens dignidade e força
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